Documentário

Cartorgafrias afetivas da cidade

Afeto como caminho para enxergar o outro.

Sobre o documentário

Cartografias Afetivas da Cidade é um convite à sensibilidade, propondo um olhar atento ao desenvolvimento de Sobral por meio das histórias de vida e vivências de pessoas em situação de rua. Invisibilizadas pela sociedade, essas trajetórias humanas se entrelaçam com o crescimento urbano, reafirmando seu papel como parte integrante e essencial da história da cidade.

Exibições

EXIBIÇÕES NA CASA DA CULTURA DE SOBRAL-CE, ARCATIAÇU, CURSO DE MEDICINA E CURSO DE PSICOLOGIA DA UFC DE SOBRAL-CE

500+

Tivemos mais de 500 pessoas que já assistiram o curta-documentário.

Maria Verbania Alves dos Santos

“Na minha adolescência houve preconceito dentro da minha própria família. Com 15 anos, procurei apoio lá fora — e encontrei na favela. Foi doloroso pra mim.”

“Eu fui estudar em Fortaleza com bolsa de voleibol, mas minha família foi contra. Diziam que era esporte de homem. Meu sonho terminou numa lesão.”

“Quando me separei da minha ex-mulher, vim pra rua. No começo tinha vergonha, mas ali encontrei um lugar para sobreviver.”

Depoimentos dos entrevistados

Jamile Leno de Lima

“Desisti dos meus estudos por causa do preconceito do meu professor.”

“Vou passar um tempo aqui, enquanto me levanto, e depois volto pra Camocim. Quero alugar uma casa pra morar.”

Francisco das Chagas Torres

“Tem muitas pessoas que têm preconceito, ainda.”

“Pessoas que não conhecem a realidade dos moradores de rua.”

Maria Marleuda do Nascimento

“Conheci ele gostando de um travesti. Depois nos juntamos. Mas não aguentei as violências. Coloquei ele na Lei Maria da Penha.”

“Tomávamos banho na piscina da praça, lavávamos roupa, fazíamos comida na lenha. Era assim que a gente vivia.”

Sobre o documentário

O documentário “Cartografias Afetivas da Cidade”, dirigido pelo professor e arte-educador Davi Sales e produzido pelo Zolhos, estreou em 5 de junho na sala de cinema Falb Rangel, na Casa da Cultura de Sobral. A produção convida o público a olhar de forma sensível e atenta para a dura realidade enfrentada por pessoas em situação de rua no município.

A proposta do curta-metragem, viabilizado com apoio da Lei Paulo Gustavo e da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, é dar voz a homens e mulheres que vivem nas ruas de Sobral. Através de depoimentos diretos e emocionantes, os próprios participantes narram suas trajetórias, marcadas por conflitos familiares, abandono, preconceito, violência e uso de drogas. Entre os relatos, estão histórias como a de Jamile de Lima, mulher trans que cresceu sob rejeição e hoje busca forças para resistir, e de Maria do Nascimento, que abandonou a família ainda jovem e luta contra a dependência química.

Segundo o diretor Davi Sales, a ideia nasceu da percepção do aumento da população em situação de rua, mesmo com o avanço urbano da cidade. “Sentia que essas histórias precisavam ser registradas. É preciso que a sociedade escute e enxergue essas pessoas”, destaca. O coordenador do Centro POP de Sobral, Francisco Carlos Justino, reforça que os principais fatores que levam à situação de rua são conflitos familiares, desemprego e dependência química, e lembra que o município oferece suporte por meio de atendimento, alimentação e encaminhamentos para acolhimento.

Com cerca de 100 pessoas vivendo nas ruas, segundo o Programa Cidades Sustentáveis, Sobral enfrenta o desafio de acolher e garantir dignidade a essa parcela da população.

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